Categoria: Pé do Diabético
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O pé diabético é uma das complicações mais sérias do diabetes — e uma das mais preveníveis. O problema é que ela avança silenciosamente. A neuropatia diabética compromete a sensibilidade dos pés, o que significa que feridas, pressões e infecções podem se desenvolver sem que o paciente sinta nada.
Quando a dor aparece, o problema geralmente já está avançado.
É por isso que saber o que observar — mesmo sem sentir dor — é fundamental para qualquer pessoa com diabetes.
Por que o pé do diabético é diferente
O diabetes afeta os pés de duas formas principais:
Neuropatia periférica: dano progressivo aos nervos que reduz ou elimina a sensibilidade. O pé para de avisar quando está sendo machucado.
Doença arterial periférica: redução do fluxo sanguíneo para os membros inferiores, o que compromete a cicatrização. Uma pequena ferida que em uma pessoa saudável fecharia em dias pode levar semanas — ou não fechar.
A combinação das duas é perigosa: o paciente não sente a ferida e o organismo tem dificuldade de curá-la.
Os 5 sinais que pedem atenção imediata
1. Qualquer ferida, corte ou bolha no pé
Em pessoas sem diabetes, um corte pequeno ou bolha é algo trivial. No pé diabético, pode ser o início de uma úlcera. Se você tem diabetes e notou qualquer solução de continuidade na pele dos pés — não importa o tamanho — procure avaliação profissional.
2. Mudança de cor ou temperatura na pele
Pé mais vermelho, mais escuro ou com manchas arroxeadas pode indicar comprometimento circulatório ou processo infeccioso. Pé mais frio que o habitual pode sinalizar redução do fluxo sanguíneo. Compare um pé com o outro — diferenças visíveis pedem atenção.
3. Inchaço sem causa aparente
Edema no pé ou tornozelo sem trauma associado pode indicar infecção, problema circulatório ou, em casos mais graves, fratura de Charcot — uma condição em que os ossos do pé se fragmentam sem dor perceptível.
4. Calosidades espessas — especialmente no calcanhar e na planta
Calosidades em diabéticos aumentam a pressão sobre o tecido subjacente e podem esconder úlceras que estão se formando por baixo. Uma calosidade que parece inofensiva num leigo pode ser ponto crítico num diabético. Nunca tente remover em casa.
5. Qualquer sinal de infecção
Vermelhidão que avança, calor local, secreção, odor e febre são sinais de infecção instalada. No pé diabético, infecções podem evoluir rapidamente para quadros graves. Se houver qualquer suspeita, não espere — procure atendimento no mesmo dia.
Por que o acompanhamento mensal é obrigatório
A maioria das complicações graves do pé diabético começa com algo pequeno que passou despercebido. O acompanhamento mensal com podólogo especializado existe para identificar e tratar esses sinais antes que se tornem problemas sérios.
Na consulta mensal, Liana avalia:
- Sensibilidade e circulação
- Integridade da pele
- Unhas e estado periungual
- Calosidades e pontos de pressão
- Calçado e adequação para o perfil do paciente
Não é rotina. É prevenção ativa.
O que diabéticos nunca devem fazer nos próprios pés
- Cortar as próprias unhas (risco de corte inadvertido na pele)
- Usar produtos ácidos para calos ou verrugas
- Andar descalço dentro ou fora de casa
- Usar bolsa de água quente ou objetos aquecidos nos pés
- Tratar qualquer condição dos pés sem supervisão profissional
A classificação de risco importa — mas não define a frequência
Muitos pacientes acham que só precisam de acompanhamento intensivo se estiverem em “alto risco”. Na prática clínica, todo diabético precisa de acompanhamento mensal — independente da classificação de risco. A classificação orienta a abordagem, não a necessidade de cuidado.
Liana Gonçalves é podóloga com pós-graduação em Diabetes e Complicações Crônicas e especialização em Semiologia do Pé Diabético. Atende em Campo Grande-MS há 15 anos.